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22/03/2017

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Dia Mundial da Água: 80% da água residual do mundo são despejados sem tratamento no meio ambiente

Nesta quarta-feira, 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) chama atenção para a necessidade de se reaproveitar a água residual doméstica, agrícola e industrial para suprir a escassez e o aumento da demanda.

Hoje, 80% dos efluentes do mundo são despejados sem o devido tratamento no meio ambiente. Os dados são do segundo Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2017, que será divulgado hoje, em Durban, na África do Sul, em alusão ao Dia da Água.

Com o nome “Águas Residuais: o recurso inexplorado”, o relatório argumenta que, uma vez tratadas, as águas residuais poderiam se tornar fontes importantes para satisfazer a crescente demanda por água doce e outras matérias-primas. “As águas residuais são um recurso valioso em um mundo no qual a água é finita e a demanda é crescente", afirma Guy Ryder, presidente da ONU Água e diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT). "Todos podem fazer a sua parte para alcançar a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para reduzir pela metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentar a reutilização de água potável até 2030", completa.

Água residual
Segundo o estudo da Unesco, 56% de toda água doce captada no planeta se torna água residual, ou seja, esgoto ou efluente industrial ou agrícola. Mas, enquanto países de renda alta tratam cerca de 70% das águas residuais urbanas e industriais que produzem, essa proporção cai para 38% nos países de renda média-alta, 28% nos países de renda média-baixa e para apenas 8% nos países de renda baixa, o que resulta em uma média global de somente 20% do total. No Brasil, estima-se que entre 40% e 50% dessa água seja tratada.

Cerca de 2,4 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso a saneamento básico e quase 1 bilhão ainda praticam a defecação ao ar livre.

Escassez
De acordo com o documento, atualmente, dois terços da população mundial vivem em áreas com escassez de água ao menos durante um mês por ano e que cerca de 500 milhões de pessoas moram em áreas nas quais o consumo de água excede em duas vezes os recursos hídricos renováveis localmente.

Atualmente, as águas residuais são mais utilizadas para a irrigação agrícola, prática adotada por ao menos 50 países que representam cerca de 10% de todas as terras irrigadas. O método, porém, levanta preocupações de saúde quando a água contém patogênicos que podem contaminar as culturas. Dessa forma, o desafio é passar de uma irrigação informal para um uso planejado e seguro, como a Jordânia tem feito desde 1977, sendo que 90% das suas águas residuais tratadas são utilizadas para a irrigação.

Na indústria, essa água residual pode ser reutilizada para aquecimento e resfriamento, por exemplo, ao invés de ser descartada no meio ambiente. Já no caso de reúso para abastecimento de água potável, os exemplos mais conhecidos no mundo são o de Windhoek, capital da Namíbia, na África, que reaproveita 35% da água residual desde 1969. Os habitantes de Cingapura e de San Diego, nos Estados Unidos, também bebem, com segurança, água que foi reciclada.

Agência CNM, com informações do Estadão


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