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20/04/2017

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Jogo da Baleia Azul: onda de suicídios no mundo serve de alerta ao poder público e à população

Um novo desafio que vem sendo disseminado entre jovens tem gerado alerta no mundo inteiro. O chamado “Jogo da Baleia Azul” exige aos que se envolvem no desafio a realização de 50 atividades de automutilação e, por fim, estimula que a pessoa cometa suicídio. Longe de ser uma questão simples, o combate ao suicídio pede a intervenção de pais, das escolas, da comunidade e do poder público.

Em um mundo digital, conhecer os amigos e as informações que são recebidas é uma tarefa difícil, talvez até impossível. O jogo vem sendo difundido justamente em razão dessa dificuldade. São utilizadas redes sociais como Whatsapp e Facebook para chegar aqueles que são mais vulneráveis. Isso porque os jovens, de modo geral, entendem que ser desafiador é uma forma de ter o respeito dentro do grupo.

Para especialistas, alia-se a esse fato a dificuldade de os pais estabelecerem uma relação de diálogo com os filhos. “A internet, em geral, não é boa nem má, mas entre o adolescente e a tecnologia tem de haver o gerenciamento dos pais. Deixar o filho solto não dá”. Mas, segundo ele, também não é algo que possa ser feito de forma invasiva. É preciso mediar a relação da criança com o mundo, aponta o psicanalista e Líder da Área de Humanidades da graduação da ESPM-SP, professor Pedro de Santi, ao Estadão.

Poder público local
A atuação integrada de secretarias como a de Saúde, Educação e Assistência Social pode tornar mais efetivo o combate ao suicídio. Apesar de ainda ser um tema tabu e, consequentemente, dificilmente debatido, a questão já se tornou caso de saúde pública. A conscientização, a discussão sobre a depressão, a violência e o suicídio e o monitoramento de grupos vulneráveis são algumas ações de prevenção que podem ser adotadas pelo poder público.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) considera de extrema importância a discussão da temática, tanto na área da saúde como nos demais setores da administração pública, especialmente porque as consequências deste jogo refletem na vida das pessoas, na própria família e também na comunidade.
A entidade acredita que as ações locais podem ser bastante resolutivas, e devem ser incentivadas pelo gestor, como a construção de uma política que sensibilize, que capacite seus profissionais e que articule com demais setores da administração, como educação e assistência social, de maneira a oferecer às pessoas que estejam em situação de vulnerabilidade uma atenção integral e adequada.

Alem disso, é possível utilizar as próprias ferramentas informatizadas para disseminação das informações. Com o alcance das redes sociais, acredita-se que essas ações integradas de prevenção dos agravos e promoção da saúde poderão estimular a construir um conceito de autoestima fortalecido nos jovens.

Sobre o Jogo
Baleia Azul (Blue Whale) é um desafio em que o competidor precisa completar 50 tarefas, sendo a última delas tirar a própria vida. Matéria do jornal O Estado de S.Paulo aponta “um grupo oriundo da Rússia, conhecido como “#F57”, está sendo investigado devido à suspeita de que já teria induzido mais de 130 jovens, predominantemente na Europa, a cometerem suicídio desde 2015”.

De acordo com as investigações acerca dos casos denunciados, a partir do momento em que a pessoa resolve entrar no jogo não é possível mais sair. Os que tentam desistir sofrem ameaças de vários tipos, se estendendo inclusive aos familiares. Os desafios propostos envolvem automutilações como escrever com uma navalha o nome do “#F57” na palma da mão, cortar o próprio lábio e desenhar uma baleia em seu corpo com uma faca.

No Brasil, suspeita-se que pelo menos duas pessoas já tenham tirado a vida em decorrência do desafio. A primeira seria uma jovem de 16 anos, moradora de Vila Rica (MT). O outro caso é de um jovem de 19 anos, do Município de Pará de Minas (MG), que teria tentando desistir do jogo algumas vezes, mas não conseguiu resistir às pressões.

Agência CNM, com informações do Estadão


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