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12/09/2017

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Primeira ciclovia-modelo do Brasil será implementada em Fortaleza (CE)

Os ciclistas de Fortaleza terão um novo espaço de trânsito na capital. O projeto-piloto foi elaborado por meio de uma parceria entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Ministério das Cidades e a prefeitura da capital. A ciclovia-modelo, de 7 quilômetros, vai passar pelas avenidas Coronel Carvalho e Radialista José Lima Verde, no lado oeste da cidade, duas das mais movimentadas da região e que cortam quatro bairros.

O projeto-piloto faz parte do Programa de Mobilidade de Baixo Carbono, elaborado após o Acordo de Paris, firmado pela comunidade internacional para combater as alterações climáticas no mundo e o compromisso do Brasil de reduzir as emissões de carbono até 2030. Brasília, Belo Horizonte e São Paulo também fazem parte do programa e serão responsáveis pela elaboração do caderno técnico de referência em mobilidade por bicicleta.

Fortaleza receberá a ciclovia-modelo por já ter uma ampla malha cicloviária, de 214 quilômetros, e contar com o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI). Atualmente, os dois programas de bicicletas compartilhadas ativos na cidade (o Bicicletar, que dá uma hora de uso gratuito, e o Bicicleta Compartilhada, que permite passar 14 horas com o veículo) disponibilizam aos ciclistas mais de mil unidades. Somente o Bicicletar registra mais de 1,5 milhão de viagens desde sua implantação, em 2014.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) avalia que as cidades representam uma grande oportunidade de redução da poluição e de combate às mudanças climáticas, já que são responsáveis por mais de 70% das emissões globais de dióxido de carbono e, os níveis de poluição do ar nas zonas urbanas aumentaram em 8% de 2008 a 2013, conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Um dos critérios usados para escolher as avenidas que receberão a ciclovia-modelo foi a possibilidade de integração com outras ciclovias e ciclofaixas existentes na região. Segundo a coordenação de Gerenciamento de Programas e Projetos da Secretaria da Infraestrutura de Fortaleza, os 7 quilômetros do projeto-piloto vão se somar a cerca de 20 quilômetros da estrutura para trânsito de bicicletas já existente, integrando, inclusive, o trecho da orla da Avenida Vila do Mar, no litoral oeste de Fortaleza.

Obra custará US$ 1,5 milhão

A construção da ciclovia-modelo vai custar US$ 1,5 milhão, e a obra deve começar em fevereiro do ano que vem. O projeto está sendo elaborado pela prefeitura da capital cearense em conjunto com uma consultoria especializada e vai passar ainda por consulta pública para receber sugestões da população.

Lançada em julho deste ano, a Política de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono de Fortaleza prevê redução de 20% Gás de Efeito Estufa (GEE) até 2030. A prefeitura estima que, desde 2012, a capital já conseguiu reduzir a emissão desses gases em 4%.

Outras iniciativas

O Município de Fortaleza desenvolveu também o Plano de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade após a implantação do projeto URBAN LEDS, financiado pela Comissão Europeia e implementado pela ONU HABITAT e ICLEI. A iniciativa tem objetivo de fomentar e aprimorar a transição ao desenvolvimento de baixo carbono, oferecendo aos governos locais dos países escolhidos (Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul) uma metodologia específica para integrar as estratégias de baixo carbono em todos os setores do planejamento e desenvolvimento urbano.

Uma pesquisa do Instituto Saúde e Sustentabilidade da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a poluição dos carros nas duas maiores metrópoles brasileiras (São Paulo e Rio de Janeiro) mata mais que os acidentes de trânsito. O número de mortes atribuídas à poluição no Estado do Rio, em 2011, foi de 4.566, 50% a mais que os óbitos em acidentes de trânsito, que foram 3.044. Em São Paulo a poluição provocou o dobro de mortes, 15.700 frente aos 7.867 do trânsito. Pela projeção do instituto, a poluição em São Paulo ainda vai matar 256 mil pessoas até 2030, mesmo que as emissões caiam 5% ao ano até lá.

A bicicleta tem um papel fundamental para a redução das emissões de carbono, proporcionando uma mudança de paradigma na democratização do uso das vias na cidade. As metas só serão cumpridas se houver uma reestruturação na utilização dos espaços públicos, onde o veículo deve ocupar o espaço proporcional à quantidade de pessoas que transporta e ao quanto estão contribuindo para reduzir ou não aumentar os níveis de emissões.

Agência CNM, com informações da EBC


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