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26/03/2018

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Sistema criado pela Nasa pode prever deslizamentos de terra em todo o mundo

Um sistema que permite a observação de ameaças de deslizamentos de terra causadas pela chuva, quase em tempo real, em qualquer parte do mundo, foi criado pela Agência espacial norte-americana (Nasa). A ferramenta inovadora foi detalhada em artigo publicado na revista científica Earth's Future, nesta quinta-feira, 22 de março.

A precipitação do solo é a principal causa deslizamentos de terra. Segundo explicações dos pesquisadores, se as condições sob a superfície da Terra já são instáveis, as fortes chuvas atuam apenas como agravante, que faz com que lama, pedras ou detritos - ou todos combinados - se movam rapidamente pelas montanhas e encostas.

Por meio de um multi-satélite, o sistema Global Precipitation Measurement (GPM) fornece – a cada 30 minutos – estimativas de precipitações em todo o mundo. O monitor estima a potencial atividade de deslizamento das áreas com precipitação pesada, persistente e recente. São considerados críticos os locais que excederem suas próprias médias de precipitação dos últimos sete dias.

Características
Segundo a Nasa, onde a precipitação é excepcionalmente alta, o sistema usa mapas de suscetibilidade para determinar se a área é propensa a deslizamentos de terra. Eles consideram cinco características: construção de estradas nas proximidades, remoção ou queima de árvores, falha tectônica, rocha fraca e encostas íngremes. Se o mapa de suscetibilidade mostrar que a área com chuvas fortes é vulnerável, por exemplo, o modelo produz alerta da probabilidade alta ou moderada de deslizamento.

A partir de uma análise comparada ao banco de dados de deslizamentos, com informações desde 2007, os pesquisadores identificaram inclusive uma temporada de deslizamento global em julho e agosto, provavelmente associado às temporadas de monções e ciclones tropicais nos oceanos Atlântico e Pacífico.

Municipalismo
Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), ações de prevenção, de monitoramento, e de preparação e resposta a desastres ainda são um grande desafio no Brasil. Enquanto a Nasa investe em tecnologia de ponta, nas ações de monitoramento e gestão de riscos de desastres, o poder público brasileiro tem dificuldade para implantar um simples sistema de SMS de alertas e alarmes meteorológicos de eventos naturais negativos. Esse tipo de medida singela, mas que sala milhares de vidas, já ocorre nos Estados Unidos e outros países como Austrália, Japão e Espanha há mais de uma década.

A Confederação também menciona a Espanha, que é referência em ações eficientes de prevenção a desastres naturais pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essas iniciativas também promovem a economia de bilhões de dólares em ações de mitigação e de monitoramentos a desastres. Para alcançar um padrão de referência mundial diversas medidas foram adotadas. Dentre elas:

ü  tecnologia de monitoramento e alertas meteorológicos para redução de riscos de desastres;

ü  política nacional de defesa civil;

ü  Centro Nacional de Monitoramento e Gerenciamento de Riscos e Desastres;

ü  Integração de Entes públicos e privados nas ações de proteção e defesa civil;

ü  sistema de defesa civil que promove o monitoramento das mudanças climáticas para mitigação de desastres naturais;

ü  nomenclatura e códigos para os desastres naturais; e

ü  políticas públicas que fortalecem ações de prevenção para tornar as cidades resilientes.

Prevenção
Algumas das práticas mencionadas acima já estão em andamento no Brasil. Mas, no geral, o governo tem focado ações e recursos em programas de respostas aos desastres, em detrimento de programas de prevenção. Para a CNM, tal postura indica má aplicação das verbas públicas, uma vez que a própria ONU já mostrou: os gastos com ações de respostas são sete vezes mais elevados, que os custos com ações de prevenção.

Para a Confederação, soma-se a isso os danos e prejuízos causados à população e ao meio ambiente, que poderiam ser evitados ou minimizados com ações de prevenção aos desastres.

Com informações do Uol


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