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09/04/2019

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Arena paralela da Marcha debate acolhimento e integração de venezuelanos

09042019 VenezuelanosO processo de interiorização e as práticas de acolhimento e integração dos migrantes e refugiados venezuelanos foram tema de programação paralela nesta terça-feira, 9 de abril, durante a XXII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o debate teve a participação de representantes dos Ministérios da Cidadania e da Casa Civil, além de representante da Associação de Voluntários.

O Município de Conde (PB) foi um dos Municípios que abriu as portas para receber os imigrantes venezuelanos na política de interiorização. A prefeita Márcia Lucena iniciou a plenária dando depoimento sobre a ação no Município. “A gente não tirou nada de ninguém para dar a eles. Nós aproveitamos políticas públicas. As pessoas não têm fronteiras, a humanidade não tem fronteira. São nossos também e a nossa experiência tem sido muito positiva. Fico muito feliz em estar prefeita nessa situação”, completou.

Dados apresentados pela Casa Civil mostram que mais de seis mil pessoas foram abrigadas e que o Brasil é o quinto país procurado pelos imigrantes. A representante da pasta, Socorro Tabosa, reforçou que os venezuelanos vieram ao país em busca de um recomeço de vida enquanto os problemas no país de origem não são resolvidos.

Para melhor acolhê-los, segundo a representante, o governo federal dividiu em três os eixos de atuação. “O primeiro é a organização na fronteira, cuidando da entrada das pessoas, com vacinação, cadastramento, atendimento social, acesso à justiça; o segundo é o abrigamento e o acolhimento de mais de seis mil pessoas que já foram abrigadas. No entanto, há uma capacidade limitada. A partir daí surge o terceiro eixo, que é a interiorização. Neste eixo, mais de cinco mil pessoas já foram interiorizadas”, terminou.

Porém, o representante da Associação de Voluntários, Fabrizio Pellicelli, ressaltou que não basta apenas transferir os venezuelanos, mas sim transferi-los já com trabalho. “Não é somente transferir essas famílias, mas garantir que elas cheguem e encontrem, através dos Municípios, uma possibilidade concreta de iniciar uma vida. O modelo que estamos apresentando tem uma palavra central: parceria. Precisa de uma parceria muito ampla que envolve governo federal, que tem os Municípios como protagonistas, e a sociedade civil junto com o setor privado”, sinalizou.

Interiorização na CNM
Sabendo a importância do seu papel e visando a estimular mais Municípios a abrirem as portas para a interiorização, a CNM promoveu a contratação de duas venezuelanas que passaram a integrar a equipe da entidade. Uma delas foi a Yully Teran, que acompanhou a plenária e aproveitou para dar um depoimento emocionado.

“Sou agradecida à CNM, que me deu essa oportunidade. Independentemente do que eu passei em Boa Vista, eu estou hoje aqui em Brasília. Meu sonho, minha perseverança, minha perspectiva é essa que estou vivendo aqui. Eu tenho emprego hoje em Brasília e eu sei que, com minhas habilidades, meu conhecimento, eu posso ser muito útil ao seu país”, disse emocionada.

A representante do Ministério da Cidadania, Nilzarete Margarida de Lima, descreveu a situação vivida por ela ao ver os venezuelanos chegando ao país. “Eu sempre digo que eu já vivenciei várias situações que nos deixavam numa impotência tão grande. Mas eu nunca vivenciei chegar e ver as pessoas com fome, desnutridas. Em Boa Vista, quando fui para Pacaraima, você vê os imigrantes chegando com tanta vulnerabilidade e um querer ser olhado. Às vezes você não precisa dar nada. A pessoa só quer ser ouvida e ser vista como cidadã”, finalizou.

Fronteiras
09042019 FronteirasCom um gancho da interiorização dos venezuelanos, a situação das fronteiras no país foi tema que deu sequência ao debate na sala 2 da programação paralela. Na oportunidade, o chefe do serviço de operações especiais de fronteiras, Rafael França, ressaltou a importância da atuação dos Municípios para a contribuição com o trabalho deles nas fronteiras. “Na fronteira somos poucos. A atribuição é constitucional da Polícia Federal e envolve diversas agências. Nossos postos ficam nos Municípios, e eles que nos acolhem. Fortaleçam essa parceria para que sejamos acolhidos”, disse.

Em resposta e concordando com o representante, o prefeito de Assis Brasil (AC), que faz fronteira com Peru e Bolívia, Antonio Barbosa de Sousa, também relatou as dificuldades. “É muita fronteira e pouco efetivo para cuidar de tudo isso. Eu disponho de dois servidores dos Municípios para trabalhar com a Polícia Federal. Uma luta nossa desde que assumimos é a de levar o serviço de integração da Polícia Federal para dentro da cidade”, citou.

Por fim, o coordenador de estudos de Desenvolvimento Urbano do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Bolivar Rego, apresentou um resumo de levantamento realizado pelo Instituto. “A palavra-chave na fronteira é desenvolvimento. Segurança e defesa na fronteira são importantes, mas é preciso ir muito além da segurança e da defesa”, finalizou.

Por: Lívia Villela
Fotos: Lívia Villela
Da Agência CNM de Notícias


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