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14/07/2020

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Relatório da ONU sobre drogas aponta aumento de uso e impacto da Covid-19

14072020 drogas arquivo agencia brasilO Relatório Mundial de Drogas 2020 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) aponta que cerca de 269 milhões de pessoas usaram drogas no mundo em 2018, um aumento de 30% em comparação com 2009. Outro ponto do documento, divulgado no fim de junho, é que mais de 35 milhões de pessoas sofrem de transtornos associados ao uso de drogas. Por meio do Observatório do Crack, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) acompanha o tema, que tem impacto direto na realidade local.

Embora os efeitos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) ainda não sejam totalmente conhecidos, o relatório indica que o fechamento de fronteiras e outras restrições relacionadas à doença causaram escassez de drogas nas ruas, o que leva ao aumento de preços e à redução da pureza das substâncias. Além disso, o aumento do desemprego e a queda de oportunidades podem afetar desproporcionalmente as camadas mais pobres, deixando-as mais vulneráveis tanto ao uso quanto ao tráfico e cultivo de drogas para obterem sustento.

Ainda de acordo com o documento, os traficantes, devido à Covid-19, devem ter de encontrar novas rotas e métodos. Assim, as atividades ligadas ao tráfico e remessas por correio aumentariam, apesar de a cadeia de suprimentos postais internacionais ter sido interrompida. O relatório alerta também para os riscos, em cenário de crise, de os governos cortarem gastos para prevenção e tratamento.

Para a diretora-executiva do UNODC, Ghada Waly, é preciso que os governos se apoiem no combate ao tráfico de drogas e ofereçam serviços baseados em evidências. “A crise da Covid-19 e a retração econômica ameaçam agravar ainda mais os riscos das drogas, quando nossos sistemas sociais e de saúde estão à beira de um colapso e nossas sociedades estão lutando para lidar com esse problema”, avalia.

Cannabis e opioides
Referente ao uso, a cannabis foi a substância mais consumida no mundo em 2018, com uma estimativa de 192 milhões de usuários. Já os opioides continuam sendo os mais nocivos, pois na última década o número total de mortes por transtornos associados ao uso dessas substâncias teve alta de 71% - um aumento de 92% entre as mulheres e de 63% entre os homens.

Durante o período de 2000 a 2018, o uso de drogas aumentou muito mais rapidamente entre os países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos. Adolescentes e jovens representam a maior parcela de usuários. Vale destacar que os jovens também são os mais vulneráveis aos efeitos das drogas, porque são os que mais consomem e seus cérebros ainda estão em desenvolvimento.

É difícil de avaliar o impacto das leis que legalizaram a cannabis em alguns países, mas é notável - afirma o relatório - que o uso frequente da substância aumentou em todas essas áreas após a legalização. A substância segue como a principal droga que coloca as pessoas em contato com o sistema de justiça criminal, respondendo por mais da metade dos casos de infrações à lei de drogas, com base em dados de 69 países, no período de 2014 a 2018.

Opioides farmacêuticos
O documento também aponta que os países de baixa renda sofrem com a escassez de opioides farmacêuticos, usados para controle da dor e cuidados paliativos. Mais de 90% deles estavam em países de alta renda em 2018, que reúnem apenas cerca de 12% da população mundial. A estimativa é que os países de baixa e média renda, que somam 88% da população mundial, consomem menos de 10% dos opioides farmacêuticos.

Publicado anualmente, o Relatório Mundial sobre Drogas oferece uma visão global sobre a oferta e a demanda de opioides, cocaína, cannabis, estimulantes do tipo anfetamina e novas substâncias psicoativas (NPS). Neste ano abrangeu o impacto na saúde, levando em conta os possíveis efeitos da pandemia da Covid-19. O documento destaca, por meio de pesquisa aprimorada e dados precisos, que os efeitos adversos para a saúde devido ao uso de drogas são mais generalizados do que se pensava anteriormente.

Da Agência CNM de Notícias, com informações do UNODC
Foto: Arquivo/Agência Brasil


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